Opinião

Pressão nos 23

Estando o foco mediático colocado no próximo OE e no plano regional na perda dos 53 milhões de receitas, há, da parte dos Governos, Regional e da República, uma tentativa de que nos esqueçamos de que, no OE para este ano, por iniciativa do PS, se inscreveu que os Açores receberiam uma dotação extraordinária para compensar o aumento dos custos de produção e os prejuízos de mercado, mediante protocolo entre a República e o GRA.
O Orçamento foi publicado em dezembro de 2025. Estamos em setembro de 2026. O protocolo continua por assinar e os 23 milhões continuam por transferir.
Há coisas que, de tanto se repetirem, deixam de ser uma explicação e passam a ser um álibi.
No caso dos 23 milhões para a agricultura açoriana, António Ventura, vai repetindo à exaustão que "pressiona", "insiste" e "aguarda", no fundo tudo verbos de encher, o problema é que verbos ainda não enchem depósitos na bomba.
Segundo Ventura, não falta pressão "política e institucional". Até pode existir em abundância, o que certamente ainda não existe é resultado.
Erros de 2023 não podem ser a explicação para os nove meses de 2026 sem protocolo assinado. O passado pode servir para cantilenas parlamentares, mas não como desculpa permanente para a ausência de solução.
Ao fim de nove meses, a pergunta já não é apenas onde estão os 23 milhões. É outra: para que serve tanta "pressão" se nem um protocolo o Secretário conseguiu assinar com um Governo da mesma cor política?
Na agricultura e na política, não basta dizer-se que se semeou, é preciso mostrar a colheita. 
Toda esta pressão sem resultados deixa-nos com a impressão de que os 23 milhões vão ficar por lá, deixando de ser uma verba específica para os agricultores para acabar por integrar uma transferência extraordinária genérica que compense os 53 milhões, ou mais, que vão faltar no próximo orçamento regional